Segurança na nuvem 7 min de leitura

O que é realmente o Defender for Cloud: CNAPP em linguagem simples

Nesta página
  1. Três perguntas para compreender a sigla
  2. Acompanhar uma aplicação através destas perguntas
  3. Verificar a proteção separadamente da postura
  4. Uma primeira revisão sugerida, sem alterar a configuração
  5. Começar por uma decisão operacional

Episódio 1 da série Segurança na Cloud – Microsoft Defender

Uma recomendação sobre um recurso na cloud, um alerta de atividade suspeita e um problema identificado num repositório podem fazer parte da mesma análise de segurança. Isso não significa que exijam a mesma resposta ou a intervenção da mesma pessoa.

Esta distinção é um ponto de partida útil para compreender o Microsoft Defender for Cloud. Antes de ativarmos mais um plano ou criarmos mais um dashboard, precisamos de perceber as diferentes tarefas em que a plataforma nos pode ajudar.

A Microsoft descreve o Defender for Cloud como uma plataforma de proteção de aplicações nativas da cloud, normalmente identificada pela sigla CNAPP. A ideia é relacionar a segurança ao longo do ciclo de vida de uma aplicação, desde o desenvolvimento até ao ambiente cloud onde é executada. A apresentação do Defender for Cloud reúne a gestão da postura, a segurança DevOps e a proteção de cargas de trabalho nesta abordagem.

Modelo de segurança do Microsoft Defender for Cloud, desde o código até à execução, que relaciona desenvolvimento, arquitetura cloud e operações de segurança.

Três perguntas para compreender a sigla

Podemos tornar estas três áreas mais fáceis de trabalhar se as traduzirmos em perguntas.

ÁreaA pergunta a fazerA ação que procuramos identificar
Gestão da postura de segurança na cloud, ou CSPMComo está configurado este ambiente e que riscos precisam de atenção?Uma alteração à configuração ou à exposição, com um responsável identificado.
Proteção de cargas de trabalho na cloud, ou CWPPQue atividade potencialmente ameaçadora precisa de ser investigada?Uma investigação e, quando se justificar, uma resposta.
Segurança DevOpsO que precisa de ser corrigido no código ou no processo de entrega?Uma alteração que resolva o problema antes de uma nova implementação.

Estas perguntas estão relacionadas. Não representam três opções de subscrição, nem a tabela garante que todas as funcionalidades estejam disponíveis para qualquer recurso ou cloud.

Na gestão da postura, o Defender for Cloud avalia os recursos e apresenta recomendações. A Microsoft distingue as funcionalidades sem custo do Foundational CSPM das funcionalidades adicionais do plano pago Defender CSPM. A documentação de CSPM explica essa diferença e as condições de suporte. Vamos analisar a escolha do plano com mais detalhe no Episódio 3.

A proteção de cargas de trabalho trata de outra parte do problema. Os planos Defender disponibilizam proteção para tipos de recursos específicos, e os seus alertas de segurança identificam atividade que requer atenção. A documentação da Microsoft sobre alertas e incidentes explica a relação entre esses planos e os alertas que geram. Um problema de configuração e um alerta sobre atividade não devem, por isso, ser tratados como se fossem o mesmo tipo de evidência.

A segurança DevOps inclui o ambiente de desenvolvimento nesta análise. A apresentação da segurança DevOps abrange resultados da análise de código, segredos, dependências e infraestrutura como código nos ambientes ligados à plataforma. Isto ajuda a perceber porque é que uma revisão de segurança na cloud pode exigir que um programador altere um repositório, em vez de um administrador mudar uma definição no portal.

Acompanhar uma aplicação através destas perguntas

Consideremos uma aplicação de exemplo chamada Orders Demo. Inclui uma aplicação Web, uma conta de armazenamento e um repositório com a configuração de implementação. Este exemplo hipotético permite-nos acompanhar a mesma aplicação ao longo da série.

Suponha que a equipa identifica uma configuração de armazenamento que permite mais acesso de rede do que a arquitetura da aplicação exige. A primeira tarefa é confirmar o percurso de acesso pretendido. Que clientes precisam de aceder ao serviço? O que deixaria de funcionar se esse acesso fosse alterado? Quem pode aprovar e implementar a alteração?

Esta é uma discussão sobre a postura de segurança. A recomendação ajuda a identificar o trabalho que deve ser analisado; os responsáveis pela aplicação e pela plataforma continuam a ter de acordar qual deve ser a configuração correta.

Agora, suponha que é necessário investigar um alerta de proteção de cargas de trabalho. A equipa tem de analisar os elementos do alerta, o recurso afetado e a atividade observada. Fechar a tarefa anterior de configuração não explicaria, por si só, o que aconteceu, nem permitiria determinar se ocorreu um incidente.

Por fim, suponha que a configuração de implementação no repositório continua a criar a definição indesejada. Uma alteração manual no recurso pode resolver a configuração atual e, ao mesmo tempo, deixar a próxima implementação pronta para recriar o problema. O programador ou o responsável pela infraestrutura como código também precisa de rever a origem da configuração.

O valor de relacionar estas perspetivas é prático: podemos atuar sobre o recurso atual, investigar a atividade e corrigir a origem de um problema de configuração recorrente. Cada tarefa precisa da sua própria evidência e de um responsável.

Verificar a proteção separadamente da postura

O facto de um recurso aparecer numa vista é um motivo para verificar o seu estado, não para assumir que todas as proteções estão ativadas.

Por exemplo, o Defender for App Service é um plano específico para aplicações Web e APIs executadas no App Service. A documentação do produto descreve os pré-requisitos, as capacidades de deteção e os aspetos de faturação. Vamos usar este plano como exemplo prático no Episódio 5.

Para esta primeira revisão, separe três elementos nas suas notas:

  • Os recursos que pretende incluir.
  • As funcionalidades de postura e proteção que pretende utilizar nesses recursos.
  • As pessoas responsáveis por investigar os resultados e efetuar alterações.

Assim, evitamos uma passagem de responsabilidade pouco clara, como «o Defender está ativado». O responsável por uma aplicação precisa de saber o que está incluído, sobre que resultados deve atuar e quem vai investigar um alerta que esteja fora das responsabilidades da sua equipa.

Uma primeira revisão sugerida, sem alterar a configuração

Escolha uma aplicação cujos responsáveis consiga identificar. Utilize os acessos que já lhe foram autorizados para analisar o ambiente; este exercício não exige a ativação de um plano pago nem a alteração de um recurso.

  1. Registe o âmbito. Identifique a subscrição ou o ambiente cloud ligado à plataforma, os recursos da aplicação e o repositório. Registe qualquer componente da aplicação que não consiga analisar.
  2. Escolha um problema de postura para discutir. Leia uma recomendação disponível e identifique os recursos afetados. Descreva a preocupação no contexto da aplicação, em vez de copiar apenas o título da recomendação para uma tarefa.
  3. Verifique a proteção pretendida. Registe o plano aplicável e a informação de cobertura a que tem acesso. Se o estado não for claro, deixe essa questão identificada para o responsável pela plataforma.
  4. Identifique o processo de investigação. Registe quem recebe um alerta de proteção de cargas de trabalho e onde pode obter os elementos de apoio à investigação. Uma lista de alertas vazia não demonstra que a proteção está a funcionar.
  5. Identifique o responsável pelo código de origem. Confirme quem mantém a configuração de implementação da aplicação e como seria revista uma alteração.

Esta é uma rotina de revisão sugerida, não um procedimento oficial do portal da Microsoft nem o registo de um laboratório já executado. O resultado pode ser uma pequena tabela de responsabilidades:

TarefaEquipa responsável sugeridaEvidência a conservar
Confirmar e corrigir a configuração do recursoEquipa da plataforma, em conjunto com o responsável pela aplicaçãoÂmbito, acesso pretendido e alteração revista.
Investigar atividade potencialmente ameaçadoraOperações de segurançaContexto do alerta, notas da investigação e decisão de resposta.
Impedir que a implementação recrie o problemaEquipa da aplicação ou de infraestrutura como códigoAlteração no repositório e verificação do estado resultante do recurso.

A sua organização pode distribuir estas responsabilidades de outra forma. O importante é que cada tarefa tenha um responsável capaz de atuar e um processo claro para envolver as outras equipas.

Começar por uma decisão operacional

Numa primeira adoção, uma aplicação com um âmbito acordado e responsáveis disponíveis é um exercício mais útil do que uma lista de problemas sem responsável. Pode usá-la para identificar falhas na passagem de responsabilidades antes de repetir o processo num conjunto mais alargado de recursos.

Registe também a experiência do portal que está a utilizar. A apresentação da Microsoft descreve a expansão do Defender for Cloud para o portal Defender, pelo que a documentação e as capturas de ecrã devem corresponder à experiência em análise. Vamos voltar a este tema de gestão de alterações no Episódio 8.

Antes do próximo episódio, preencha a tabela de responsabilidades para a aplicação escolhida. Depois, selecione uma recomendação que a equipa responsável possa avaliar. No Episódio 2, vamos usar essa decisão para transformar a pontuação de segurança numa rotina de remediação, com uma alteração proposta e evidência que mostre o que foi corrigido.


Até à próxima,
Marcos Nogueira
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